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O que é Criação com Apego - Attachment Parenting (1 visualizando) (1) Visitante
Paternidade
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TÓPICO: O que é Criação com Apego - Attachment Parenting
#1182
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O que é Criação com Apego - Attachment Parenting 5 Anos, 3 Mês atrás Popularidade: 4  
Entrevista sobre Criação com Apego
 

Nome da entrevistada: Tamara Hiller
Idade: 36
Profissão: parteira profissional (obstetriz)
 
Quantos filhos e qual idade? Uma filha de 4 anos e meio
 
Quando ouviu falar pela primeira vez em criação com apego? Você definiria a sua relação com seus filhos através desse termo?

Faz 15 anos atras, na Alemanha, quando comecei trabalhar de parteira na Alemanha, o que alem de acompanhar partos hospitalares e domiciliares tambem inclui um acompanhamento da família nos primeiros meses. Quando visitei as famílias em casa depois do parto para ajudar no estabelecimento da amamentação e dos cuidados com o bebe comecei me questionar sobre muitos dos conceitos modernos de maternar e paternar. Sem saber do conceito de attachment parenting observei varias coisas. Por exemplo que o conceito de berço e que o bebe durma no outro quarto não funciona muito bem junto com amamentação. Uma mãe que amamenta precisa do contato físico com seu bebe para perceber quando ele tem fome, antes que ele chore, para poder ler o primeiros sinais sutis. Ela produz hormônios que ajudam a ela de voltar ao sono rapidamente, então não faz sentido ela levantar, amamentar no sofá, colocar o bebe de volta no berço e ela voltar para a cama dela. Ela vai ter dificuldades de voltar ao sono, e o bebe vai acordar de novo porque sente a falta da mãe. O bebe esta biologicamente programado por milhões de anos de evolução de querer ficar perto da mãe. Não faz sentido de lutar contra este instinto, todas as noites, e neste processo a mãe fica cansada, exausta e depressiva, e o bebe não pode satisfazer suas necessidades básicas. Foi minhas simples observação que muitas das práticas hoje conhecidas como attachment parenting, como uso do sling, amamentação livre demanda e cama compartilhada, ajudaram a nova família de entrar num ritmo harmonioso e saudável para todos. Eu podia ver e até medir objetivamente que os bebes que dormiam no quarto dos pais ganharam mais peso, dormiam mais, choravam menos e quase não tinham cólicas e refluxo. A mesma coisa com a amamentação e o uso do sling, o resultado era tão obvio, em todas as famílias que acompanhei, as mães estavam melhor adaptadas com seu novo papel, e os bebes contentes e se desenvolvendo bem.

Quando e gravidei para mim era absolutamente claro que não ia comprar um berço ou carrinho, que ia comprar slings, praticar cama compartilhada e amamentar em livre demanda e até quando minha parar naturalmente. Compramos mais um colchão de solteiro e juntamos a nossa cama de casal para que todas tenham suficiente espaço durante a noite. Me surpreendi que no Brasil o conceito de criação de apego não era conhecido ainda e que não tinha pediatras que apoiam. Na Alemanha muitas pediatras são em favor do attachment parenting porque já existem estudos que provam os benefícios.
Sim, pode se dizer que criei minha filha com os conceitos da criação de apego. Mas temos que entender que isso não é um conjunto de regras e técnicas que precisam se aplicar de uma forma determinada. Criação de apego significa que entendemos o contato físico e a presença constante da mãe na primeira infância como uma necessidade básica do ser humano. Atras disso também tem uma filosofia de vida, um paradigma da nossa sociedade. O que acreditam muitos de nos que fomos criados da maneira convencional ocidental, é que o choro do bebe é algo ruim, que o humano em si é mal, que ele pode ser mimado e mal-criado com colo e atenção demais, que sem aplicar disciplina regras e punição o ser humano não da certo. E como as crianças sempre cumprem com o que a sociede e os pais esperam deles, isso é o mundo que temos, cheio de violência.

A filosofia da criação do apego parte de outro paradigma, que o ser humano é capaz e completo desde o nascimento, que ele sabe articular suas necessidades, que na verdade todo que um bebe quer são suas necessidades reais e verdadeiras, não é chantagem se um bebe chora, é por necessidade. Essa filosofia vão muito alem da amamentação, da necessidade de ser carregado nos braços ou no sling e de dormir junto com os pais. Vemos isso refletido em todas nossas ações como pais, o que chamamos de educação (manipulação seria mais correto). Não acreditamos que a natureza humana é boa, que o ser humano é altamente social desde o nascimento, que cada criança tem uma vontade insaciável de querer aprender todo sobre este mundo (pelo menos até que a gente interfere, tentando ensinar eles contra a vontade deles e desta maneira estragando a vontade natural de aprender). E a maioria das mães e pais acreditam isso sobre eles mesmos, que não são suficientes como pais, incapazes de cumprir as expectativas da sociedade, dos outros.
Achamos que temos que ensinar e forçar, não confiamos no processo, na vida. Por exemplo, quando uma criança pequena, de 2 ou 3 anos não quer dar seu brinquedo a uma criança que visitou sua casa, a gente fala, tem que compartilhar filho, da para ele! Se entendemos que a criança não compartilha por que não pode ainda, e sim confiamos que ela vai aprender isso no tempo certo e através do nosso bom exemplo, vamos lidar diferente com essa situação. Vamos respeitar os brinquedos da criança como esperamos dele de respeitar as nossas coisas. O que ele observa no mundo de adultos é que sua vizinha também não entra sem perguntar e empresta seu carro quando quiser. È você que decide para quem abre sua casa, quem convida para um jantar e a quem empresta coisas ou não. Nossas crianças pequenas também tem o direito de ter um espaço deles, (não precisa ser um quarto, só um cantinho é suficiente), onde outras crianças não podem invadir sem permissão dela, e ela tem direito a decidir quais brinquedos ela quer dividir e quais não. Você acha que ela nunca ia compartir nada com ninguém? Só se ela já for tão traumatizada no passado quando os outros não respeitaram as coisas dela. No tempo dela, ela vai brincar com outros, convidar outras crianças, compartilhar brinquedos. Porque ela sabe que os limites dela serão respeitadas. Isso é só mais um exemplo de como nos adultos esperamos coisas para as quais a criança naturalmente ainda não esta pronta, e como forçamos coisas que aconteceriam no tempo certo naturalmente e sem briga. Por exemplo se eu quero uma criança independente, o que você acha que ajudaria mais no processo, eu nego a ela colo, teta, e presença da mãe e tento forçar ela a ser independente, ou eu satisfaço as necessidades de apego dela, e espero o momento certo para ela se independizar por decisão própria e vontade dela? No primeiro caso a criança vai ficar mais grudada a mãe ainda, por medo de perder ela. E no segundo caso acontece o que vejo na minha filha, nos filhos de amigos criados com apego, que eles cumprem cada etapa de desenvolvimento sem ter que forçar. É como uma flor, eu tenho que regar ela e proporcionar o ambiente adequado, mais não posso forçar ela a desabrochar.
 
Como foi sua relação com a amamentação?

Amamentar minha filha foi o que me fez ser mãe, um fluxo constante de amor, aprendizagem de entrega e doação de ser mãe, de conhecer minha filha num nível muito concreto e físico, prática de meditação e estar presente, de auto-conhecimento, tantas coisas.... que para descrever a essência da amamentação nem tenho palavras.... foi a coisa mais profunda que já vivi. No sentido prático minha regra básica era quanto mais melhor. Eu dava o peito sempre que minha filha pedia e tanto tempo com ela queria. Eu dormia junto com ela no meu peito. Foi a maneira de não ter deficit de sono e estar sempre bem descansada e disposta. Isso é fundamental. Não podemos ser boas mães se estivermos com sono. Desta maneira eu veia cada sessão de amamentar como um presente, um convite de sentar ou deitar e descansar, algo benéfico para mim, não como uma tarefa dificíl, um dever, alguém sugando a força de vida de mim. Eu recebia força de vida, eu recebia alimento, tanto como a minha filha.

Minha filha tem 4 anos e meio e ainda mama de vez em quando, geralmente uma vez por dia, antes de dormir. Esse momento é algo especial para nos duas. Não tenho a necessidade de desmamar ela, vou deixar acontecendo naturalmente. Esse fato pode ser chocante para outros, mas é muito natural para mim. Não estou dizendo que para ser uma boa mãe ou para praticar criação de apego precisa amamentar até quando a criança quer. Isso é um processo individual de cada família. O meu é este, é natural para mim e para minha filha. Ela reduziu sozinha a frequência das mamadas, e ela vai se desmamar sozinha. Para mim tanto faz quando vai ser isso, nunca penso nisso como um objetivo.
 
É possível conciliar vida profissional com o conceito de criar os filhos respeitando suas necessidades (ex: amamentação até mais tarde)? Como você ou as mulheres que conhece resolvem essa questão?

Sim, tenho sorte de poder trabalhar em casa, e meu esposo tambem. Nos escolhemos viver uma vida mais simples, ganhar menos e trabalhar menos horas. Por parte talvez é sorte, por parte é porque coloquei isso como prioridade na minha vida, de poder estar com minha filha, junto com meu esposo.


 
Você recebe ou recebeu críticas por acreditar em um conceito não tão tradicional de maternidade?

Praticamente não. Tem pessoas que não entendem o conceito de criação de apego, ou não concordam. Mas eu deixo bem claro, porque exemplo frente aos meus próprios pais, familiares e amigos, que como eu crio minha filha é decisão minha e do meu esposo e de mais ninguém. Eles sentem minha firmeza interior sobre nosso jeito de viver e educar é quase ninguém ousa de me criticar ou dar pitacos. Geralmente estou rodeada de amigos que compartem minhas ideias. E fico longe de pessoas que tem ideias muito diferentes, porque somos incompatíveis em muitos outros aspectos de como vivemos a vida. Não discuto certos assuntos relacionados a amamentação ou sono com minha pediatra, porque sei que ela tem outra visão, a qual não aplica para minha família.
 
Quais os benefícios da criação com apego, na sua opinião?

 Criação com apego respeita as necessidades básicas e biológicas da criança. Os benefícios duram para a vida inteira. Tem benefícios para a criança, os pais, para futuras gerações e para a sociedade inteira. Uma criança que podia sempre mamar quando queria, aprende que a mãe (e mais tarde o mundo), escutam ele, atendem ele, que tem abundancia no mundo, que suas necessidades serão atendidas, e sua voz é ouvida. O que não significa que a criança sempre recebe o que quer, muitos confundem isso. Crianção com apego não é permissivo, os pais tem o papel de guias amorosas, que trabalham em pro das necessidades reais das crianças. O que não significa de comprar qualquer coisa que a criança deseja (desejos criados pela propaganda na TV obviamente não são necessidades reais), nem significa que os pais deixem a criança fazer todo que quer. Sabemos que isso não é possível, que a vida não é assim. Mas uma criança que tem suas necessidades básicas em cada idade satisfeita é capaz de respeitar limites, de ser responsável, de ser independente, de se cuidar, de cuidar outros, ter uma boa auto-estima e ser feliz. Eu vejo isso claramente na minha filha. Ela é uma pessoa muito interessada no mundo, alegre, com compaixão para outros, responsável e independente. Só quando uma criança pode ter a certeza que a mãe ou o pai esta sempre ali, que ninguém empurra ela fora o ninho antecipadamente, ela tem a segurança de poder ir, se independizar, e voltar quando ela precisa. Ela vai ter uma outra percepção, um outro paradigma de ver o mundo. Uma criança que sofreu muitas situações traumáticas na infância, chorar sozinho no berço, ter que ir pra escolinha sem querer, aprende que o mundo é difícil, que relações íntimas com outros, com os pais, são dolorosas, que o mundo vai contra ela, que sua voz não é ouvida, suas necessidades não são respeitadas. Infelizmente, a vida inteira ela vai repetir esses padrões, se buscar inconscientemente situações que não a façam feliz, relações intimas dolorosas, contato com pessoas que não a repeitam, uma vida que não supre as necessidades. Lendo isso, muitos adulto devem se reconhecer, os padrões na nossa vida que são difíceis de quebrar e que nos deixam infeliz. Que não entendemos os mecanismos atras, que originam na nossa primeira infância. Mas quando começamos a entender a relação entre nossa própria infelicidade, nosso constante sentimento de não ser capaz, de não fazer o suficiente e a escassez de atenção e amor dentro da relação com nossos próprios pais, ai podemos começar nos curar. E também entendemos que nosso trabalho de mãe e pai é o mais importante neste mundo, que nosso jeito de maternar vai influenciar varias gerações futuras e a sociedade inteira. Que mudar o mundo começa aqui em casa mesmo, com seu bebe no colo, no sling, amamentando no sofá, parece coisa privada de cada um, mas isso vai ressoar muito alem da porta da sua casa, da vida do seu próprio filho. Isso é provavelmente o único jeito de realmente melhorar o mundo, de evoluir na direção certa.


respostas de Tamara Hiller www.slingando.com
 
 
 
 
 
 

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Última Edição: 2012/05/20 10:58 Por SlingMama.
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