Os pais acreditam que o andador auxilia o bebê a aprender a caminhar, que funciona como exercício, permite mobilidade e deixa o bebê feliz, mas não é bem assim.
Embora a criança goste do andador, pois este lhe dá liberdade para movimentar-se de forma mais rápida, a pura verdade é que este aparelho limita os movimentos da criança e impede que ela passe por etapas anteriores que a levarão a iniciar o processo de caminhar.
Antes de começar a andar, seu bebê precisa aprender a sentar com apoio, rolar na cama, alcançar e segurar objetos, sentar sem apoio, engatinhar, ficar em pé sozinho e apoiar-se em móveis, para depois começar a andar. Este é um processo evolutivo que cumpre etapas e está relacionado com o grau de desenvolvimento de cada criança, e se você colocar seu bebê no andador, estará alterando este processo e atrasando o início da marcha, podendo até prejudicar o desenvolvimento neurológico e a aquisição de equilíbrio.
Se a criança tem um processo evolutivo, onde cada fase desse processo prepara a seguinte e cada nova fase significa uma conquista, então por que devemos interferir neste processo colocando-a num andador? Afinal, não há criança normal que deixou de aprender a andar por falta do andador, não é mesmo?
Em um estudo realizado, pesquisadores irlandeses entrevistaram os pais de 190 bebês que usavam andadores e estavam desenvolvendo as capacidades motoras. Eles verificaram que 102 crianças que usavam o aparelho eram, como grupo, mais lentas para começar a engatinhar, ficar em pé ou andar sozinhas. Por exemplo, os bebês com os andadores ficaram em pé sozinhos aos 13 meses, em média, três a quatro semanas depois que aqueles que não usavam o aparelho.
O andador força a criança a pular várias dessas etapas essenciais para o desenvolvimento. Ela, por exemplo, não deixa a criança experimentar os “tombinhos” naturais do início do aprendizado do caminhar e, assim, a aquisição do equilíbrio é limitado e pode ainda deformar a estrutura óssea da perna.
Falsa liberdade - A sensação de liberdade que o andador oferece é ilusão. O andador não deixa a criança explorar adequadamente o espaço que está. Um simples objeto no chão e que desperte a atenção do bebê passa a se tornar algo inalcançável para o pequenino, pois o andador não oferece condições para que ele pegue e conheça a peça.
Veja como uma coisa puxa outra. O que pode ocorrer também com as crianças que usam o andador é a falta de estímulos pelos pais. Como a criança gosta do andador por movimentar mais rápido, ficam quietinhas e brincam sozinhas e são “esquecidas” pelos pais. A falta de estímulo pode causar uma deficiência no desenvolvimento neurológico.
Os acidentes que podem provocar graves lesões nas crianças são outro problema relacionado ao uso do andador. Os acidentes mais comuns são os tombos quando as crianças usam os pés para se impulsionarem para trás e batem a cabeça e as quedas em degraus.
De tão prejudiciais e perigosos para as crianças, a venda de andadores em países como o Canadá já é proibida.
O uso do andador compromete muito o desenvolvimento global das crianças. Os pais devem pensar nas conseqüências do andador antes de comprá-los. Não há criança normal que deixou de aprender a andar por falta do andador.
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