Estamos numa fase de mudança de paradigmas. Hoje muitas mães e pais buscam formas mais conscientes e naturais de criar seus filhos. Eles se informam na Internet, em foros de discussão, em lista de emails com outras mães, através de estudos científicos e livros sobre o que é melhor para o seu filho e nosso mundo. São mães e pais que descobrem novas e antigas formas de maternar, que descobrem o parto humanizado e em casa, que amamentam seu filho por mais tempo, que não dão chupeta ou mamadeira, que usam o sling , que dormem junto com seus filhos na cama familiar, que reorientam a carreira para ficar em casa com seus filhos e repensam conceitos de educação .
Mas e aos nossos filhos, que livros infantis estamos dando para eles? Que estão aprendendo nas historias e imagens?
Cedo na vida, já antes dos dois anos, a criança esta formando seus conceitos do mundo e se forma a base de como ela vai se comportar como mãe ou pai. Ela aprende com os exemplos dos pais e como eles encaram, por exemplo, a chegada de um novo irmãozinho. Ela absorve a informação ao seu redor como uma esponja. O que acontece se damos livros infantis típicos, com imagens de mamadeiras e chupetas? E na escola, damos livros de biologia que mostram o parto no hospital com a mulher na posição deitada com uma infusão de soro no braço? Temos que cuidar das imagens as quais expomos nossas crianças.
Para esta nova geração, que cresce num mundo que esta se transformando, precisamos de exemplos reais, bonitos e conscientes, livros infantis que mostrem mulheres amamentando seus bebes, mostrando a maternidade consciente, sendo carregados no sling e nascimentos humanizados, como por exemplo os partos em casa.
Nas fotos do álbum abaixo você pode ver alguns exemplos de livros da Austrália, Alemanha e Estados Unidos, feitos por mães e pais que querem mostrar uma realidade mais consciente e ecológica.
O primeiro livro que apresentamos nas fotos se chama o "Nascimento de Runa" (Runas Geburt) do escritor Uwe Spillmann e da ilustradora Inga Kamieth, ambos da Alemanha. Neste livro, Lisa, a irmã mais velha, relata seu ponto de vista sobre o nascimento domiciliar de sua irmã Runa. Pode ser comprado online e tem a tradução ao Português que pode ser baixada no site www.Runas-Geburt.de .
O segundo livro que apresentamos se chama "Meu Irmão Jimi Jazz" (My Brother Jimi Jazz) da autora australiana Chrissy Butler. O livro relata o nascimento do segundo filho da família, que nasce em casa, na água. Da mesma autora existe o livro que se chama "Um Maravilhoso Lugar" (A Wonderful Place), que mostra os beneficios do aleitamento materno para uma criança já maior, a qual é mostrada amamentando em diversos situações da vida. www.chrissybutler.com
O próximo é um belíssimo livro que mostra imagens de crianças sendo carregadas com slings tradicionais, em diversas culturas do mundo. Se chama “Um Passeio nas Costas de Mamãe” (A Ride on Mothers Back), dos autores americanos Emery e Durga Bernhard. www.durgabernhard.com/childrensbooks.php
Da Editora Riedenburg (www.editionriedenburg.at) tem vários livros em alemão sobre outras temas relacionados, especialmente livros para o irmão ou irmã maior que acompanha a chegada do novo bebê. Existe, inclusive, um livro que mostra a prática de Elimination Communication, como criar um bebê sem fraldas. As temas são abordados com muita delicadeza, e foram escritos com aconselhamento de uma obstetriz e enfermeira obstetra. Estes livros tratam diferentes situações associadas a chegada do novo bebê, por exemplo, o que passa quando o irmãozinho nasce prematuro, quando ele tem um lábio leporino, quando são gêmeos, quando a mãe tem uma cesariana, quando o bebê tem cólicas e chora muito e até quando o bebê falece no período pouco antes ou depois do parto.
A mesma editora tem dois livros para pais. Um deles sobre parto domiciliar com relatos e fotos das mães e o outro sobre mães que tiveram cesariana, mostrando fotos da cicatriz e relatando suas experiências, para desmistificar o nascimento via cesariana e mostrar as emoções e o trabalho psicológico que envolve. (“Luxus Privatgeburt“ (Parto Domicilar de Luxo), e “Der Kaiserschnitt hat kein Gesicht” (A Cesariana Não Tem Rosto).
E o que fazer agora? Precisamos de escritores e ilustradores brasileiros que criem opções como estas. Quem sabe alguma mãe ou pai vai redirecionar sua carreira e criar livros como estes para esta nova geração? Ou quem sabe, alguem que faça o contato com uma editora para traduzir estes maravilhosos livros ao Português?
Também precisamos de grupos de profissionais (por exemplo enfermeiras obstetras) e mães e pais que tem experiência com parto humanizado e maternidade consciente, para irem as escolinhas e escolas e falar sobre gestação, parto e amamentação, de forma adequada para cada idade. As crianças se interessam para estes assuntos já a partir de 3 anos, ou antes e precisamos informação de qualidade. Que tal um dia da parteira nas escolas? As ideias de como lidar com a maternidade não começam só se formar quando uma mulher descobre que esta grávida. Se ela até este momento nunca ouviu falar de práticas mais conscientes, em muitos casos já é tarde demais. Temos que começar mais cedo com uma educação para os futuros pais, nossas crianças. Para um mundo melhor.
Com este artigo queremos plantar a semente e esperar que surjam logo novos livros infantis no Brasil, que façam parte na formação consciente desta nova geração, dos nossos filhos.
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